9.12.04

Um fio a mais de esperança...

Bom... Eu bem que tentei, mas não deu muito certo não. De qualquer maneira, ontem eu vi uma reportagem no Estadão de ontem (vi na edição impressa, não tenho o link aqui) que me deixou 5% mais esperançoso com o futuro de vários prédios históricos de estações ferroviárias Brasilzão afora. Especialmente com o prédio da estação de Guaratinguetá (ou simplesmente Guará para os mais íntimos).
Antes, contudo, de falar da reportagem e do porquê da minha esperança, um pouco do contexto da cidade: Guará foi a cidade que ansci e cresci, tenho por ela muito carinho no coração. Tenho lá minha família e vários amigos. Ir pra lá no final de semana (ainda que beeeem de vez em quando) é uma ótima alternativa à vidinha tumultuada de São Paulo. Mas o caso é que há tempos eu confesso que já perdi muitas das esperanças de dizer que Guará é uma cidade progressista, nos sentidos mais diversos que "progresso" possa respresentar.
Guará literalemente parou no tempo. E esse tempo é mais ou menos a década de 60 ou antes, quando a cidade era um importante pólo de pecuária leiteira e havia nela uma rica e próspera sociedade. Sociedade essa que até hoje vive do glamour de outros tempos, quando a cidade tinha mais representação política e econômica. Sociedade essa, enfim, que parou no tempo e vive do passado, que, no português mais arcaico, "come mortadela e arrota peru".
Hoje a única coisa que vejo crescer na cidade é o número de loja de revenda de automóveis (deve ser tudo lavegam de dinheiro descarada) e de carrinhos de lanches que progridem até virar um quiosquezinho ou coisa do tipo. Fora isso, tudo igual. Ou mais ou menos igual, já que a cidade é tomada por uma síndrome do "já teve" e não tem mais, no que diz respeito à espaços culturais, comércio sofisticado e etc e tal.
Agora, voltando pro assunto inicial, a Estação de Guará é - sem exagero nem imparcialidades - um dos prédios mais bonitos que conheço, com refinamentos arquitetônicos e de acabamento que remetem à riqueza dos tempos do café e de quando a cidade já teve um presidente da república (Rodriges Alves, o primeiro reeleito da história republicana brasileira). Pena que todo o complexo que envolve este prédio e ele próprio estão literalmente abandonados à própria sorte. Não vou achar incrível, por exemplo, se, um dia de chuva mais forte, a torre da Ferroviária simplesmente desabar.
A esperança, contudo, vem do fato de que agora, com o fim definitivo da RFFSA, todos os prédios de propriesade da empresa até então passam para as prefeituras locais, facilitando o processo de recuperação e restauro dessas construções. Oxalá isso se torne verdade em Guará.

Abaixo, a transcrição sobre detalhes a mais do prédio, retirada do site ExploreVale:
Construção de 1914. O edifício da Estação de Ferro da Central do Brasil é um dos mais belos exemplares da arquitetura inglesa no Vale do Paraíba. Desativada há alguns anos, é tombada como Patrimônio Histórico Estadual. Embora não seja permitida a visitação enquanto não terminarem as obras de restauração, tem telhas de ardósia e requintados detalhes arquitetônicos. A Praça Condessa de Frontin, que fica em frente, é um dos mais arborizados e agradáveis logradouros da cidade. Praça Condessa de Frontin, 78/110.

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Buéééénas Kid Mumu! Tô postanto anonimus, pq num tô afim de cadastrar agora. E realmente, a estação é microcosmo da cidade: era bonita, era moderna, era "simplesmente um luxo", hoje, acho que o Frei Hans poderia dar uma força lá, e estabelecer lá a sede daquele projeto dele: luxo do lixo.
ôôô Judiêêra, seu...
Rafael

12:07 PM  
Anonymous Anônimo said...

Tonho, não seja tão rude com a sua cidade!!!
Afinal, quantos destes carrinhos de lanche não acabam virando grandes reces de fast food? Os quiosques que estão se formando já são um grande sinal desta tendência!
hahahahahahah
Simplesmente sensacional!!!
Ricarod Maia

2:33 PM  
Blogger Bicarato said...

Ah, tá... Isso porque a prefeitura já comprou os prédios da estação e galpões. O projeto de recuperação está parado, por causa de alguns detalhes que não foram aceitos pelo Condephaat --porque descaracterizariam a construção original. *O tempora, o mores...*
Aproveitando: leia mais sobre isso lá no Alfarrábio: http://alfarrabio.blogspot.com

3:55 PM  
Anonymous Anônimo said...

I have been looking for sites like this for a long time. Thank you! »

3:19 AM  
Blogger Lico said...

Estou trabalhando em um trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC. Faço História em Lorena, e estou pesquisando sobre a estação ferroviária de Guaratinguetá. Achei interessante o texto "Projeto Piloto" que aborda a restauração da estação. Hoje, dia 23 de maio de 2008, é véspera da tão esperada entrega da estação ferroviária finalmente restaurada.Acredito que isso não seja novidade para este autor que também nasceu na terra de muitas garças. Assim como o autor, tenho esperanças que os projetos destinados a esta estação prossigam, como está previsto para ser um ponto cultural. Parabéns pelo blog.

5:03 PM  
Blogger Lico said...

Estou trabalhando em um trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC. Faço História em Lorena, e estou pesquisando sobre a estação ferroviária de Guaratinguetá. Achei interessante o texto "Projeto Piloto" que aborda a restauração da estação. Hoje, dia 23 de maio de 2008, é véspera da tão esperada entrega da estação ferroviária finalmente restaurada.Acredito que isso não seja novidade para este autor que também nasceu na terra de muitas garças. Assim como o autor, tenho esperanças que os projetos destinados a esta estação prossigam, como está previsto para ser um ponto cultural. Parabéns pelo blog.

5:06 PM  

Postar um comentário

<< Home